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Cidades que transformam impostos em qualidade de vida: novo índice revela os destaques no Brasil

26 de novembro de 2025

Retornômetro, desenvolvido pela empresa Assertif, avaliou 396 cidades brasileiras com mais de 100 mil habitantesA Avenida Paulista costuma ser uma das regiões de altos índices de ruído da cidade de São Paulo (Adeleke Anthony Fote/ TheNews2/ Estadão Conteúdo)

A Avenida Paulista costuma ser uma das regiões de altos índices de ruído da cidade de São Paulo (Adeleke Anthony Fote/ TheNews2/ Estadão Conteúdo)

Um novo estudo nacional mostra quais municípios mais conseguem converter impostos arrecadados em serviços públicos que melhoram a vida da população. O Retornômetro, desenvolvido pela empresa Assertif, avaliou 396 cidades brasileiras com mais de 100 mil habitantes e apontou os mais eficientes no uso dos recursos públicos para saúde, educação, infraestrutura, emprego e governança.

Como funciona o Retornômetro

A metodologia do índice combina dados de fonte oficiais — como IBGE, FINBRA, DATASUS e INEP — para avaliar três dimensões principais:

Viver: qualidade de vida, saúde, educação, saneamento.

Prosperar: emprego, renda, desenvolvimento econômico.

Governar: transparência, equilíbrio fiscal, capacidade de investimento. Novo Momento

Cada município recebe uma nota de 0 a 1.000, refletindo a eficiência com que retorna valor social para os cidadãos a partir dos impostos arrecadados. Novo Momento

Destaques no ranking

Segundo o Retornômetro, as cidades que mais se destacaram foram:

Osasco (SP) – lidera com 783,3 pontos

A cidade se beneficiou de modernização administrativa, como o programa “Osasco Sem Papel”, que digitalizou muitos processos e reduziu a burocracia.

Tem programas sociais relevantes, como o “Osasco Solidária”.

Além disso, mantém forte dinamismo econômico, o que ajuda nos eixos “Governar” e “Prosperar”.

São Paulo (SP) – 640,4 pontos

A capital ampliou sua rede de saneamento básico, conectando cerca de 650 mil famílias à rede de esgoto por meio de grandes projetos.

Também avançou na saúde, com expansão da atenção primária, e na educação infantil.

No IDEB (índice de educação), a rede municipal tem apresentado bons resultados: por exemplo, 6,2 nos anos iniciais e 5,1 nos anos finais, segundo dados de 2023.

Volta Redonda (RJ) – 631,5 pontos

A cidade se destaca muito na educação: em 2023, obteve a maior nota do Sul Fluminense no IDEB para os anos finais (5,4), acima da média nacional.

No quesito transparência, brilhou na Escala Brasil Transparente, da Controladoria-Geral da União.

De acordo com a prefeitura, esses resultados refletem políticas voltadas à valorização dos professores e investimentos em infraestrutura escolar.

Outras cidades que aparecem bem no ranking são Votuporanga (SP) e Curitiba (PR) — ambas mostram que não é só em grandes metrópoles que se pode ter gestão eficiente.

Panorama regional e desigualdades

O levantamento revela também importantes disparidades regionais:

O Sul do Brasil lidera com média de 526,6 pontos, seguido pelo Sudeste com 519,2 pontos.

Já o Norte e o Nordeste apresentam médias bem mais baixas, com 399,9 e 401,3, respectivamente — sinalizando desigualdade na eficiência da gestão pública entre diferentes regiões do país.

Apesar dessas diferenças, 60,6% das cidades avaliadas conseguiram superar a média nacional de 481,2 pontos.

Por que esse índice é importante

Segundo José Guilherme Sabino, CEO do Grupo Assertif, o Retornômetro “traz uma métrica clara e objetiva para um debate que, até hoje, era dominado por percepções e narrativas políticas”.

le destaca que, pela primeira vez, é possível medir com precisão onde os impostos realmente geram valor público e onde há gargalos na eficiência.

Além disso, o índice ajuda a identificar boas práticas municipais que podem servir de modelo para outras cidades. Sabino afirma que o Retornômetro não visa “apontar culpados”, mas sim ser uma ferramenta de diagnóstico, tanto para gestores, quanto para pesquisadores e cidadãos.

O paradoxo fiscal brasileiro

O estudo também traz à tona um paradoxo do sistema fiscal brasileiro: embora a carga tributária no Brasil seja comparável à de países desenvolvidos, o retorno social desses tributos ainda deixa a desejar.

Em nações como a Noruega ou a Finlândia, existe alta arrecadação e excelentes serviços públicos. No Brasil, entretanto, muitas vezes há arrecadação elevada, mas o retorno para a população não é proporcional.

Ferramenta acessível e de longo prazo

O Retornômetro é uma plataforma interativa que será atualizada periodicamente. Qualquer pessoa pode consultar dados por município, estado ou região, o que estimula a transparência e também a participação cidadã no debate sobre gestão pública.

A iniciativa da Assertif tem grande potencial para fomentar uma cultura de eficiência, mostrando que é possível fazer mais com o dinheiro arrecadado, desde que haja planejamento, responsabilidade e foco em resultados concretos para a população.

Fonte: A Tribuna

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