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Retornômetro: quais cidades transformam melhor os impostos pagos em qualidade de vida?

26 de agosto de 2025

Ferramenta pioneira compara 396 municípios brasileiros e mostra disparidades regionais na eficiência do gasto público. Osasco (SP) lidera ranking nacional.

O Brasil acaba de ganhar uma métrica inédita para avaliar a eficiência da gestão pública. Lançado pela Assertif, o Retornômetro analisa como os impostos pagos pela população se convertem em serviços e bem-estar, trazendo luz a um debate historicamente marcado por percepções e narrativas políticas.

A primeira edição avaliou 396 municípios com mais de 100 mil habitantes e revelou cenários distintos. Osasco (SP) alcançou a melhor nota do país (783,3 pontos), seguido por São Paulo (640,4) e Volta Redonda (RJ) (631,5). A média nacional foi de 481,2 pontos.

Como funciona o Retornômetro?

A metodologia combina dados oficiais de fontes como IBGE, FINBRA, DATASUS e INEP. Os indicadores foram organizados em três eixos:

  • Viver: saúde, educação, saneamento e qualidade de vida.
  • Prosperar: emprego, renda e desenvolvimento econômico.
  • Governar: transparência, equilíbrio fiscal e capacidade de investimento.

Cada cidade recebeu uma nota de 0 a 1000, permitindo comparar a eficiência relativa da aplicação dos recursos públicos.

Desigualdades regionais em evidência

O levantamento mostrou que regiões mais ricas tendem a apresentar melhor desempenho.

  • Sul lidera a média nacional com 526,6 pontos.
  • Sudeste aparece em seguida, com 519,2 pontos.
  • Norte e Nordeste ficaram bem abaixo, com 399,9 e 401,3 pontos, respectivamente.

Outro dado relevante é que 60,6% dos municípios superaram a média nacional, mas a variação de desempenho é expressiva: enquanto Osasco desponta com mais de 780 pontos, outros municípios não chegaram a 200.

O que o índice revela sobre o Brasil

Segundo José Guilherme Sabino, CEO do Grupo Assertif, o Retornômetro inaugura uma nova forma de medir resultados da gestão pública:

“Pela primeira vez, conseguimos mensurar com precisão onde os impostos de fato geram valor público e onde ainda há gargalos de eficiência. O índice traz uma métrica clara e objetiva para um debate que, até hoje, era dominado por percepções políticas.”

A iniciativa também evidencia o paradoxo fiscal brasileiro: embora o país tenha carga tributária comparável à de nações desenvolvidas, o retorno social é limitado. Países como Noruega e Finlândia combinam alta arrecadação com serviços de excelência, enquanto o Brasil figura entre os últimos colocados em rankings internacionais de retorno social dos tributos.

“O objetivo do índice não é apontar culpados, mas oferecer uma ferramenta técnica de diagnóstico e comparação. Ao evidenciar boas práticas municipais, queremos apoiar gestores, pesquisadores e cidadãos na busca por uma gestão mais eficiente e transparente”, completa Sabino.

Plataforma interativa

O Retornômetro está disponível em uma plataforma interativa, que será atualizada periodicamente e permite consultas por município, estado e região.

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